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Lendo: Emma. Próximo da lista: Chega de saudade - Histórias da Bossa Nova. Vendo: Terminei de ver Jane Eyre. Série excelente! Ouvindo: fase clássica - Chopin e Beethoven. Música do momento: "Sonata ao Luar" (1º movimento), de Beethoven.
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Segunda-feira, Janeiro 12, 2009 Esaú e Jacó Eu tenho uma extensa lista de livros para ler - e ela só faz crescer. Mas acaba que ontem, visitando o site www.dominiopublico.org.br, vejo as obras completas de Machado de Assis na internet, ao alcance de um download gratuito. Olhando a lista de livros, resolvi arriscar de ler os primeiros capítulos de "Esaú e Jacó". Quem disse que eu consegui ficar nos primeiros capítulos? Li o dia inteiro, com areia nos olhos por causa da claridade da tela, a luz ambiente se enfraquecendo ao meu redor enquanto a noite avançava. Só consegui largar o livro quando ele acabou, e posso dizer: que livro bom! O curioso é que o livro é ótimo, mas nem tanto pelo enredo, que é meio vazio em si: irmãos gêmeos que não concordam em nada. Na mão de qualquer outro escritor, mal daria história para um livro, mas estamos falando de Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho. E essa foi uma de suas bruxarias: transformar uma história insossa de desavença fraternal em um romance bem escrito, bem acabado e completamente viciante. Machado de Assis leva a narrativa onisciente para o próximo nível: ele não só sabe de tudo o que se passa, como dialoga diretamente com o leitor. Não é apenas um simples narrador fiel (ou não) da história, mas o seu guardião, e deixa isso perfeitamente claro. Ele desenvolve uma relação variada com o leitor, ora paternalista, ora amigável, ora submissa. Uma amostra dessa relação sem cerimônias fica no capítulo 27 ("De uma reflexão intempestiva"), em que Machado interrompe a narração que vai fazendo dos desentendimentos dos gêmeos Pedro e Paulo, ainda adolescentes, para responder a perguntas que algumas leitoras já deveriam estar se fazendo àquela altura do livro: Eis aqui entra uma reflexão da leitora: "mas se duas velhas gravuras os levam a murro e sangue, contentar-se-ão eles com a sua esposa? Não quererão a mesma e única mulher?” (...) Francamente, eu não gosto de gente que venha adivinhando e compondo um livro que está sendo escrito com método. A insistência da leitora em falar de uma só mulher chega a ser impertinente. Suponha que eles deveras gostem de uma só pessoa; não parecerá que eu conto o que a leitora me lembrou, quando a verdade é que eu apenas escrevo o que sucedeu e pode ser confirmado por dezenas de testemunhas? Não, senhora minha, não pus a pena na mão, à espreita do que me vissem sugerindo. Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem papel, aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente, deixe-se estar quieta, vá de linha em linha; dou-lhe que boceje entre dois capítulos, mas espere o resto, tenha confiança no relator destas aventuras. Genial. garatujado por Elaine 10:05 AM Quarta-feira, Janeiro 07, 2009 Em tempo: é, estou vendo todas as produções de época da BBC possíveis e imagináveis. Em era pré-internet banda larga, sabe quando eu viria estas séries? Ene-u-ene-cê-a. garatujado por Elaine 4:47 PM A idade do amor Vi recentemente duas séries que giram em torno de um relacionamento entre pessoas com grande diferença de idade: Little Dorrit (2008), de Charles Dickens, e Jane Eyre (2006), de Charlotte Brontë. Ambas as histórias são belíssimas, mas não será sobre isso que apontarei aqui, mas a escolha de elenco das adaptações que vi, ambas da BBC. Em Little Dorrit, a personagem do título, Amy Dorrit, é uma moça de 21 anos que mal parece ter 14. No livro, ela é, inclusive, confundida com uma criança. Já Arthur Clennam é um homem vivido, que morou no exterior por 20 anos e conta, na altura da história, com mais de 40 anos de idade. Essa diferença de quase 20 anos de idade também é pontuada em Jane Eyre, no romance entre a preceptora Jane Eyre, de pouco mais de 18 anos, e Edward Rochester, de quase 40 anos.
Toby e Ruth juntos: cadê diferença de idade? Mas, embora essencial às duas histórias, a diferença de idade entre os personagens não transpareceu na tela. Matthew Macfadyen, que tem 34 anos, não convenceu como um homem com o dobro da idade de Claire Foy (que, a propósito, tem 24 anos). Arthur diz a Little Dorrit, em uma das últimas cenas da série: "eu tenho o dobro da sua idade". Dá vontade de rir, ou então perguntar ao personagem qual seu tratamento anti-rugas...
Arthur Clennam com mais de 40 anos (?!) Em Jane Eyre, Ruth Wilson e Toby Stephens fazem um trabalho magnífico nos papéis principais, mas vistos juntos, ninguém acreditaria na diferença de idade. O que me pergunto é: por que escalar um elenco desse quando há essa percepção? Principalmente nestas séries, em que a diferença de idade é frisada e influi no relacionamento do casal. Acho que em uma sociedade onde é proibido envelhecer, não há espaço para um romance entre pessoas com idades tão díspares. Não atrai público um romance entre uma mulher de 18 anos e um homem de 40 anos (ou vice-versa). Obs.: não que eu defenda que se escale atores com exatamente a mesma idade dos personagens, mas eles, ao menos, devem aparentar tal idade. O melhor exemplo que posso oferecer disso é o de outra série, Razão e Sensibilidade (2008), no romance entre Marianne Dashwood, 18 anos, e Coronel Brandon, 35 anos. Os atores escalados, Charity Wakefield e David Morrisey, aparentavam perfeitamente a idade dos personagens - e olha que a atriz tem 27 anos. garatujado por Elaine 4:45 PM Quinta-feira, Janeiro 01, 2009 Concertos para a juventude Recentemente, redescobri o gosto pela música clássica. Meu compositor favorito é Chopin, e estou me divertindo vendo vídeos no Youtube de execuções de suas peças e fazendo comparações entre os pianistas. A minha execução favorita é a da pianista russa Valentina Igoshina, que interpreta as peças de Chopin de uma forma tão intensa que me deixou realmente emocionada. O Estudo nº 3 Op. 10 é de uma beleza sobrenatural. garatujado por Elaine 12:19 PM Sexta-feira, Dezembro 19, 2008 Terminei Mrs. Dalloway E o único comentário que posso fazer, sem risco nenhum de gerar spoilers, é que são as últimas três frases mais lindas que já li num livro. Simplesmente um final maravilhosamente bem colocado. garatujado por Elaine 4:17 PM Quarta-feira, Dezembro 10, 2008 Augusto é o Mr. Darcy Outro dia, estava relendo o romance "A moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo - um dos primeiros clássicos da literatura que eu li, aos 10 anos (idade meio perigosa para lê-lo, já que desenvolvi uma paixonite agudíssima pelo protagonista, Augusto). E, numa passagem, achei muito curioso a forma como ele encontra Carolina (a moreninha do título) pela primeira vez, porque a dinâmica é muito parecida com a primeira vez que Mr. Darcy conhece Elizabeth Bennet em "Orgulho e Preconceito". Vamos às comparações: De Orgulho e Preconceito: (original em inglês) "But there is one of her sisters sitting down just behind you, who is very pretty, and I dare say very agreeable. Do let me ask my partner to introduce you." "Which do you mean?" and turning round he looked for a moment at Elizabeth, till catching her eye, he withdrew his own and coldly said: "She is tolerable, but not handsome enough to tempt me; I am in no humour at present to give consequence to young ladies who are slighted by other men." (tradução livre) "Mas há uma das irmãs dela sentada bem atrás de você, que é muito bonita e, ouso dizer, muito agradável. Deixe-me pedir minha acompanhante para apresentá-lo" "A quem se refere?" e, olhando ao redor, ele fitou Elizabeth por um momento, e, ao encontrar seus olhos, ele desviou os seus e disse, friamente: "Ela é tolerável, mas não bela o suficiente para me tentar; não estou disposto, neste momento, a dar importância a jovens que foram rejeitadas por outros homens". De "A moreninha": (..) e Augusto a surpreendeu fazendo-lhe caretas: travessa, inconseqüente e às vezes engraçada; viva, curiosa e em algumas ocasiões impertinente, O nosso estudante não pode dizer com precisão nem o que ela é, nem o que não é: acha-a estouvada, caprichosa e mesmo feia, e pretende tratá-la com seriedade e estudo para nem desgostar a dona da casa, nem se sujeitar a sofrer as impertinências e travessuras que a todo o momento a vê praticar com os outros. garatujado por Elaine 3:18 PM Quinta-feira, Dezembro 04, 2008 O olhar de Septimus Apesar do livro ter o nome da sra. Dalloway, é ela quem menos tenho visto na história. Para mim, o personagem mais interessante é o de Septimus Warren Smith que, no livro, está mergulhando cada vez mais nos sintomas de loucura. Trata-se de um camarada que sofreu os horrores da I Guerra Mundial - o suficiente para deixar qualquer um meio lelé, muito embora o dr. Holmes garanta à esposa de Septimus, a italiana Lucrezia, que "there was nothing the matter". A descrição que Virgina Woolf faz do olhar de Septimus é primorosa: "Septimus Warren Smith, aged about thirty, pale-faced, beak-nosed, wearing brown shoes and a shabby overcoat, with hazel eyes which had that look of apprehension in them which makes complete strangers apprehensive too". "Septimus Warren Smith, de cerca de 30 anos, rosto pálido, nariz adunco, usando sapatos marrons e um sobretudo surrado, com olhos castanhos que tinham aquele aspecto de preocupação neles que fariam completos estranhos ficarem preocupados também". (acho que o olhar de um louco é bem assim, né...) garatujado por Elaine 1:35 AM Mrs. Dalloway - ô livrinho difícil! Estou há algumas semanas claudicando na leitura de Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf. A linha narrativa, praticamente inexistente, dificulta à beça a leitura do livro. O resultado é que, embora tenha pouco mais de 200 páginas, esse flanar narrativo (na falta de expressão melhor) me dá a sensação de que estou lendo a Bíblia em japonês e braille. Só vamos dar um pequeno desconto à minha aparente obtusidade porque estou lendo no original em inglês, né... Mas, problemas à parte, o livro já me ofereceu uma bela passagem, explicando porque o personagem de Septimus Warren-Smith alistou-se para a I Guerra Mundial: "He went to France to save an England which consisted almost entirely of Shakespeare's plays and Miss Isabel Pole in a green dress walking in a square". "Ele foi à França para salvar uma Inglaterra que consistia quase que inteiramente de peças de Shakespeare e da srta. Isabel Pole, de vestido verde, passeando numa praça" garatujado por Elaine 12:44 AM Segunda-feira, Novembro 24, 2008 Minha música no momento Build that wall (Aimee Mann) She's been a long time on the phone Courting disaster in an undertone She's feeling nostalgic and feeling that fall How could anyone ever fight it Who could ever expect to fight it when she Builds that Wall Maybe it's one where time will tell Maybe it's one where it's just fare-thee-well I hear her coming As she walks down the hall How could anyone ever fight it Who could ever expect to fight it when she Builds that Wall I know the choice is made I can tell, I said By your guilty face And I never was one to fight it How does anyone ever fight it You couldn't pin this one on me You knew my thoughts so far as I could see Well, I'd say it's hopeless But you make the call 'Cause I never was one to fight it And if given the chance I guess I'll learn to Build that wall garatujado por Elaine 1:46 PM Lista de leitura - update - Mrs. Dalloway - Emma - Chega de saudade - histórias da Bossa Nova - O Físico - O príncipe maldito - Os irmãos Karamazov - Obras completas de Fernando Sabino - O retrato de Dorian Grey garatujado por Elaine 1:38 PM Fiz uma descoberta: Com uma internet banda larga, ninguém mais precisa de TV por assinatura no Brasil. garatujado por Elaine 1:33 PM Domingo, Novembro 09, 2008 Falta de bom "censo" Enquanto não consigo concretizar meu sonho de abrir uma livraria, devo encontrar maneiras de pagar as minhas contas - e o concurso público tornou-se uma maneira de tentar conseguir um empreguinho para fazer o pé-de-meia. É deprimente ler uma prova que está julgando meus conhecimentos, que deveria estar acima do bem e do mal, salpicada de erros de português bizarros. A separação de sujeito e predicado/verbo por vírgula já se tornou até comum de tanto ocorrer (freqüência que só a torna ainda mais irritante). Mas, em uma questão, extrapolaram: uma das opções versava sobre "o censo crítico da opinião pública", ou coisa que o valha. A explicação provável é que, como se tratava de uma prova para o IBGE, os organizadores acabaram misturando alhos com bugalhos. garatujado por Elaine 11:58 PM Sábado, Novembro 01, 2008 Sonho Estou trabalhando na viabilidade de um sonho antigo. Espero conseguir concretizá-lo! garatujado por Elaine 7:11 PM Quarta-feira, Outubro 15, 2008 Homo estetis Engraçado como novas rotinas de beleza vão sendo inseridas no seu cotidiano de tal forma que, para estar minimamente apresentável para colocar a cara na rua, temos que passar por quase duas horas de preparação. Creme para o rosto, para celulite, para a barriga. Depois, mousse no cabelo. Depois, creme nas pernas. Perfume no pescoço e braços. Aí sim, devidamente besuntada de creme e loção, você pode se considerar um ser humano digno de aparecer à vista de outros seres humanos que, por sua vez, também gastaram duas horas se preparando. Apesar de sempre nos exigir tempo, a vida moderna também arruma um jeito para que utilizemos as poucas horas que nos restam em coisas completamente fúteis e sem sentido. Afe!!! garatujado por Elaine 2:21 PM |
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